Opinião

Ainda se compete com valores

Ainda se compete com valores

Fernando Álvarez no momento da homenagem individual

Os mais informados saberão que decorreu em Budapeste, na Hungria, entre os dias 7 e 20
deste mês, o Campeonato Mundial Masters de natação.

Apesar de Portugal ter participado com vários atletas, que por sinal conseguiram excelentes
resultados, tendo mesmo alguns atingido o lugar mais alto do pódio (sagrando-se Campeões
Mundiais), os menos informados não o saberão. E não o sabem porque, infelizmente, este tipo
de notícia não chega ao nosso conhecimento.

Tal como na grande maioria das modalidades em Portugal, com especial persistência nas
individuais, também a esta os media pouca, ou nenhuma, importância deram. Não fosse a
página da Federação Portuguesa de Natação (FPN), e um ou outro sítio de notícias sobre a
modalidade, estes resultados não seriam conhecidos.

No entanto, mais do que medalhas ou títulos, estes mundiais foram marcados pela nobre
atitude de um homem. Fernando Álvarez.

O atleta espanhol, que se encontrava nestes mundiais para competir nas provas de 50, 100 e
200 metros bruços, no incrível escalão de 70-74 anos, após o terrível atentado terrorista de
Barcelona, solicitou à organização do Mundial que fosse feito um minuto de silêncio antes da
realização das provas, de modo a que assim fosse prestada uma homenagem às vítimas do
mesmo.

Inexplicavelmente e com o espantoso argumento de que não se podia perder nem um minuto,
a organização recusou o seu pedido.

O nadador espanhol, não conformado com a resposta, acabou por fazer a homenagem
sozinho, permanecendo, sereno e em silêncio, durante um minuto na sua prancha, após os
seus adversários terem iniciado a prova de 200 metros bruços. Findo o seu minuto de silêncio
iniciou a sua prova, e apesar de não lhe ter sido atribuído tempo, deu assim, de uma forma
exemplar, uma autêntica “chapada de luva branca” na organização da prova.

As suas palavras no final demonstram a sua grandeza: “Fiquei quieto, como quando diziam
«firme» na tropa. E assim fiquei. Saí um minuto depois. Mas para mim é igual, estava a senti-lo
mais do que se ganhasse todos os ouros do mundo”.

Numa altura em que na imprensa basicamente se fala de quanto custou a transferência do
jogador A, do clube X para o Y, Fernando Álvarez mostrou ao mundo o valor da dignidade
humana acima de qualquer outro, com uma verdadeira lição de cidadania, respeito e
humildade.

Veja o vídeo

(Fonte: Club Natación Cádiz)


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