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A “Iron Woman” portuguesa

A "Iron Woman" portuguesa

Exibindo sempre a bandeira nacional, foram 22,8 quilómetros a nadar, 1.080 de bicicleta e 25,2 de corrida

Assim de repente, poderão pensar que me estou a referir a Vanessa Fernandes, fruto da magnífica vitória por ela alcançada no passado dia 3 de setembro, na primeira prova “Ironman” realizada em Portugal e que parece ter feito renascer esta enorme atleta.

Mas não, o caso de Vanessa Fernandes/alto rendimento, ficarão para outro artigo! Estou a referir-me a Maria Conceição, a portuguesa que conseguiu a incrível proeza de completar seis triatlos “Ironman” em apenas 56 dias, todos eles em continentes diferentes, isto claro, considerando os subcontinentes sul e norte da América.

Apesar de desaconselhada pelos médicos, esta lisboeta, que reside no Dubai, iniciou esta aventura a 2 de abril em Port Elizabeth, na África do Sul (África), terminando no passado dia 29 de maio na cidade brasileira de Florianópolis (América do Sul). Pelo meio ficaram as provas de Houston, EUA (América do Norte) a 22 de abril, Taiwan (Ásia) a 30 de abril, Port Mcquarie (Austrália) a 7 de maio e Lanzarote, Espanha (Europa), a 20 de maio.

Exibindo sempre a bandeira nacional, foram 22,8 quilómetros a nadar, 1.080 quilómetros de bicicleta e 25,2 de corrida. INCRÍVEL!

No entanto, e apesar de ter um currículo impressionante neste tipo de proezas (incluindo seis entradas no Livro de Recordes Mundiais do Guiness), o que importa sublinhar é o motivo que leva esta antiga assistente de bordo a sujeitar-se a este tipo de desafios, quase desumanos, ela que até admite não gostar particularmente de desporto.

E realmente é por uma causa muito nobre que ela o faz. Tudo começou em 2005, em que durante uma folga na escala de um voo da companhia onde trabalhava, Maria Conceição visitou um bairro de lata em Dhaka, a capital do Bangladesh.

Deparando-se com as enormes dificuldades de sobrevivência dos seus habitantes, passou no bairro duas semanas das suas férias e, decidida a mudar a qualidade de vida daquelas pessoas, aí iniciou o que se viria a tornar mais tarde a Fundação Maria Cristina, fundação que financia a educação de crianças no Bangladesh.

Desde essa data que com estes desafios extremos tenta divulgar o trabalho feito pela sua Fundação, tentando assim despertar e sensibilizar a comunidade internacional para a sua causa e claro para a necessidade de apoio financeiro.

Assim, e muito mais que os feitos desportivos, são já 10 anos de dedicação desta “Super Mulher”a uma causa que providenciou educação a mais de 600 crianças, muitas delas prestes a ingressar em universidades de topo e no mercado de trabalho.

Sem dúvida uma “Mulher de Ferro”, uma inspiração e um exemplo a seguir.


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