Trail running

ALUT: Prova de ‘superação pessoal’ já arrancou em Alcoutim

ALUT: prova de 'superação pessoal' já arrancou em Alcoutim

Fotografia de grupo momentos antes da partida

Já começou. Às 18.30 em ponto, com direito a contagem decrescente, teve início em Alcoutim o mais longo trail running de Portugal. O Algarviana Ultra Trail (ALUT), prova de cerca de 300 quilómetros que atravessa o Algarve, está, por esta hora, prestes a terminar os primeiros 38 e conta com 55 participantes corajosos que não desistiram nem com uma partida à noite e com muito frio. “Começar de noite e com este frio serve para aumentar o desafio”, atirou André Cabrita, corredor de Faro que chegou ao ALUT depois de vencer o passatempo que garantia uma participação no trail, promovido pelo jornal Corredores Anónimos.

A opinião é unânime entre atletas e organização: o ALUT é uma prova de “superação”. “Há uns quatro ou cinco atletas que vêm com espírito de competição mas a esmagadora maioria vem por uma questão de superação pessoal”, confirma Germano Magalhães, um dos principais organizadores da corrida.

Sentimento certificado por Filipe Conceição, especialista nestas andanças, que já participou em provas como a PT 281 – circuito que percorre 281 quilómetros pelo território da Beira Baixa – e que assegura: “Eu venho participar porque é um desafio de resiliência”. “São muitas horas, faz-nos libertar certas coisas dentro de nós, é uma introspeção, sai mais barato do que ir ao psiquiatra e é bom para fugir à rotina”, explica o ultramaratonista algarvio.

“Desistir não é uma opção”

A frase é de Patrícia Carvalho, a única mulher a participar a solo na prova. “Vou chegar até ao Cabo de São Vicente. Quero ver aquele farol”, garante a atleta que se assume aficionada neste tipo de provas.

Natural de Olhão mas a viver na Escócia há quase 10 anos, Patrícia veio de propósito a Portugal para participar no ALUT. O trail mais longo que já concluiu acumulava 161 quilómetros, distância que não é pouca e que lhe permite garantir que, tão ou mais importante que o treino físico, é o treino psicológico. “Chega a um ponto em que o corpo não quer continuar e a cabeça é que tem de tomar o comando”, explica.

Talvez seja por isso que a organização perspetive que nem todos os participantes terminem a prova. “Somos otimistas se dissermos que 20 chegam ao fim”, considerou Germano Magalhães no início deste mês em entrevista ao Algarve Desporto, ideia que mantinha esta sexta-feira ao início do ALUT.

A super exigente ultramaratona passa por trilhos como a Serra do Caldeirão, Espinhaço de Cão e Monchique e conta com mais de 100 colaboradores durante todo o percurso. A prova pode ser acompanhada em permanência aqui.

Correr para ajudar

A prova, que já se afirmou como especial pela distância, marca ainda a diferença por ter inserida uma ação solidária. É que nas estafetas existem quatro atletas cujo principal objetivo é correr para ajudar.

Marcelo Silva, Paulo Alves, Francisco Dias e Silvestre Rosa, compõem a estafeta ‘Helpo@Alut’, que tem como missão dar a conhecer a ONG portuguesa Helpo, que apoia comunidades carenciadas em vários países.

Com a participação na prova os quatro amigos correm para angariar fundos que permitam doar lanches à escola de Matibane, no norte de Moçambique.

A ajuda pode ser efetuada através de transferência bancária para a o IBAN PT 50 0010 0000 3483 3480 0032 8, com a descrição ‘Lanche Escolar – Algarviana’ e o envio de comprovativo para ondinagiga@helpo.pt.

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[Atualizada às 19:58 do dia 07-12-2017]


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