Luís Modesto: Invencibilidade do Imortal resume-se a "muito trabalho"

Entrevistas

Luís Modesto: Invencibilidade do Imortal resume-se a “muito trabalho”

Luís Modesto

Luís Modesto: Invencibilidade do Imortal resume-se a “muito trabalho”

Publicidade

Quinze vitórias em igual número de partidas disputadas na Proliga esta temporada. É com este percurso imbatível que o Imortal Basket Club marca o regresso ao segundo escalão do basquetebol português, depois de se ter sagrado campeão nacional da 1ª Divisão Masculina na época anterior.

Líder isolada, com mais três pontos, à primeira jornada da segunda fase, a formação de Albufeira é a única equipa dos dois principais campeonatos de Portugal que não soma qualquer derrota e coloca-se cada vez mais em boa posição para discutir o acesso à Liga Portuguesa de Basquetebol.

No Imortal há 31 anos, 23 como jogador, Luís Modesto é o homem que, juntamente com Francisco Oliveira, comanda os seniores de um clube que pode sagrar-se este fim de semana campeão regional de masculinos em todos os escalões de formação.

Depois de disputar a liga profissional como atleta, o técnico albufeirense, que enquanto jogador “gostava de passar a bola”, pode vir a fazê-lo de fora da quadra mas, para já, prefere manter os pés assentes no chão.

Algarve Desporto (AD) – Com a manutenção na Proliga garantida desde a 11ª jornada, quais são os objetivos do Imortal neste momento?

Luís Modesto (LM) – Já se fala muito sobre a subida de divisão mas não é esse o objetivo primordial da equipa nem pensamos muito nisso.

No início da época tínhamos um objetivo e quase todas as semanas falávamos sobre ele: ganhar todos os jogos. Obviamente que ganhando todos os jogos garantíamos a manutenção, o que conseguimos a três jornadas do fim da primeira fase. Já disputámos a primeira jornada da segunda fase, em que se juntam as quatro melhores equipas das zonas Norte e Sul e em que os pontos que conseguimos obter na primeira fase contam para a segunda e, por isso, continuamos no topo da classificação e a querer ganhar jogo a jogo.

AD – Mesmo tendo como principal objetivo ganhar todos os jogos, esperava chegar a esta fase do campeonato ainda invicto?

LM – Sinceramente, não. Há equipas também muito boas na Proliga mas fruto da nossa qualidade e do trabalho que temos desenvolvido, temos conseguido somar apenas vitórias. Já disputámos dois ou três jogos nos quais tivemos mais dificuldades, inclusive um foi a prolongamento, mas vamos tentar retardar cada vez mais o surgimento da primeira derrota.

Luís Modesto: Invencibilidade do Imortal resume-se a "muito trabalho"

Luís Modesto

AD – Quais são as qualidades que uma equipa precisa de ter para vencer semana após semana?

LM – Resume-se tudo a muito trabalho. Treinamos, enquanto equipa, quatro vezes por semana e há atletas – praticamente metade – que treinam, individualmente, mais três vezes, o que é muito bom porque estamos a falar de jogadores que não são profissionais. O segredo do nosso sucesso até agora é o trabalho que temos desenvolvido, muito à custa da qualidade dos jogadores.

AD – Sente que este ciclo de vitórias tem contribuído, de alguma forma, para aproximar as pessoas ao basquetebol e ao clube?

LM – Sim. Eu comecei a jogar basquetebol aos 11 anos e na altura o Imortal era um dos grandes clubes do país. Acompanhei durante vários anos enquanto espectador e atleta, depois tive a felicidade de ser convidado, ainda jovem, a pertencer à equipa de seniores e tive ainda o privilégio de trabalhar com grandes jogadores numa época em que o antigo pavilhão do Imortal estava sempre cheio.

Depois houve uma fase menos boa em que a modalidade começou a cair por culpa do clube. As pessoas começaram a afastar-se mas notamos que com o movimento que o clube voltou a ter, com o facto de ser autónomo e conseguir novamente ter resultados – já fomos três vezes campeões nacionais -, as pessoas voltaram a vir ao basquetebol e a mostrar interesse em apoiá-lo. Notamos essa diferença.

AD – O Luís foi jogador durante 23 anos. Em que fase da sua carreira é que começou a perceber que o seu percurso poderia passar pela via de treinador?

AD – O Luís “treinador” é muito diferente do Luís “homem”?

LM – Não, sou a mesma pessoa. Sou uma pessoa calma. Logo no início não era, trazia aquela irreverência de jogador, que transportei também para a parte de treinador. Principalmente com as arbitragens, com as quais há sempre divergências, mas com o ganho da experiência ao longo dos anos, atualmente sinto que sou um treinador muito mais calmo do que quando comecei.

AD – Como se caracteriza enquanto jogador?

LM – A principal característica é o jogo coletivo. Não gostava de assumir muito a importância do jogo ou o momento decisivo, gostava de fazer a equipa jogar. Recordo-me de uma situação que talvez possa caracterizar-me enquanto jogador. Numa época em que era júnior mas já estava nos seniores, o treinador, numa entrevista inicial que fez com todos os jogadores, perguntou-me qual era a minha principal característica e eu disse que gostava de passar a bola. Uma vez que no ‘basket’ o principal objetivo é concretizar cestos, ele ficou muito sério a olhar para mim: “Passar a bola?”. Eu gostava porque se trata de uma modalidade coletiva e dava-me motivação, principalmente na posição em que jogava, que não é uma posição muito criativa, a poste e a extremo.

Luís Modesto: Invencibilidade do Imortal resume-se a "muito trabalho"

Equipa sénior do Imortal Basket Club

AD – E a sua relação com os jogadores, como é?

LM – É boa. Penso que um dos pontos-chave dos treinadores é manter uma boa relação com os jogadores. Tendo eu passado pelo papel de jogador, consigo entender certas posições que eles às vezes tomam e é importante sempre ter uma boa relação e sermos amigos, não sermos só aquela peça da relação treinador-jogador.

Eu, por exemplo, não entro no balneário nos dias de treino. Aquele é o local sagrado dos jogadores. Entro no dia dos jogos para falarmos antes ou no intervalo, o que é normal, mas dou o espaço que eles precisam de ter para, enquanto grupo, serem unidos e coesos. Sou amigo dos meus jogadores e gosto de ser justo com todos.

AD – Considera que os treinadores são mais facilmente criticados quando as coisas correm menos bem do que valorizados quando estão a correr, de facto, muito bem?

LM – Sim mas um bocadinho menos no ‘basket’. Penso que no ‘basket’ os treinadores têm mais tolerância porque é uma modalidade na qual se ganha ou se perde, não há empates, e as pessoas acabam por ser mais benevolentes na avaliação do treinador. É claro que a pressão é muito menor comparando com o futebol, em que um mau resultado já põe tudo em causa. Por exemplo, agora temos 15 jogos, 15 vitórias, julgo que, se perdermos um jogo, ninguém vai colocar em causa todo o trabalho que já foi feito. Não existe esse tipo de pressão no basquetebol.

AD – Já esteve nos dois lados. É mais fácil ser jogador ou treinador?

LM – Eu gostava mais de ser jogador mas infelizmente tive de parar de jogar por questões físicas. Mas é um 50/50. São situações totalmente distintas. Enquanto jogador tinha o prazer de estar dentro do campo, de participar nas ações da equipa, tanto defensivas como ofensivas. No papel de treinador tenho uma ideia e tento que os jogadores a ponham em prática. Nos pratos da balança a importância que dou a ambas as posições tem precisamente o mesmo peso.

AD – Todo o seu percurso foi feito no Imortal. Este é um fator determinante para o sucesso que vivem atualmente?

AD – Mas com certeza que estes anos fazem-no viver esta fase invicta de uma forma mais especial…

LM – Sim. Há quatro anos, quando ganhámos o direito desportivo de subir à Proliga, fizemos uma época em que só perdemos a final contra a equipa B do FC Porto e fizemos também um percurso muito idêntico a este. Era bom que conseguíssemos fazer igual, só perdemos um jogo numa época inteira com, salvo erro, 34 jogos disputados. A ganhar é mais fácil trabalhar porque temos sempre os jogadores motivados. Às vezes pode criar um ambiente de “relaxamento” mas felizmente, até agora, nesta época, ainda não senti isso da parte dos jogadores, pelo contrário, tenho sentido sempre uma entrega excelente. É claro que já temos tido jogos mais difíceis mas temos conseguido sempre ganhar.

AD – Nos jogadores da sua equipa pode haver essa sensação de “relaxamento”. E nos jogadores adversários já alguma vez notou receio por defrontarem o Imortal?

LM – Não, pelo contrário. Notamos é que cada equipa que joga contra o Imortal quer ser a primeira a ganhar, o que também acaba por se transformar numa fonte de motivação para nós para não deixarmos que aquela equipa seja a primeira a vencer-nos.

Plantel

Luís Modesto: Invencibilidade do Imortal resume-se a "muito trabalho"

Nome: Sérgio Correia

Posição: Extremo

1 de 13
Utilize as setas para navegar


Mais de Entrevistas