Florin Vintila: "O Algarve é uma potência dos desportos de combate em Portugal"

Entrevistas

Florin Vintila: “O Algarve é uma potência dos desportos de combate em Portugal”

Florin Vintila: “O Algarve é uma potência dos desportos de combate em Portugal”

Há praticamente duas décadas a organizar eventos de desportos de combate no Algarve, Florin Vintila é um dos homens a quem se deve a evolução deste tipo de modalidades na região. De nacionalidade romena mas a viver em Albufeira há mais de 22 anos, o presidente da Associação de Muay Thai do Algarve foi o fundador da Top Team, atualmente com seis equipas pelo país, representadas por alguns dos melhores atletas nacionais.

Inúmeras vezes campeão de Portugal e campeão da Europa de kickboxing por duas ocasiões, vencedor de um Grand Prix mundial de muay thai, uma mão cheia de campeonatos nacionais e medalha de bronze no campeonato do mundo de ju-jitsu brasileiro são algumas das conquistas do ex-atleta profissional de 39 anos. Depois de ter lutado nos maiores eventos no mundo inteiro ao mais alto nível, o empresário dedica-se, há cerca de oito anos, à formação de atletas e à promoção de Galas de artes marciais.

E se a primeira “foi uma brincadeira”, a próxima, a acontecer já este sábado com um título mundial e um nacional em disputa, prepara-se para ser a melhor alguma vez realizada em território luso, algo “digno de Las Vegas”.

O antigo selecionador nacional de muay thai, que já praticou kickboxing, boxe, karaté, ju-jitsu, ju-jitsu brasileiro, muay thai e MMA, tem dedicado a sua vida às artes marciais, o que certamente continuará a fazer.

Algarve Desporto (AD) – Já disse numa entrevista que o melhor que se leva das artes marciais são as amizades. Fale-me um pouco sobre isso.

Florin Vintila (FV) – Sem dúvida. Durante todo este meu percurso de mais de 20 anos tenho feito amigos em todas as partes do globo. Quer viaje para a Tailândia, França ou Holanda, por exemplo, tenho sempre lá amigos ou alguém que conheci numa Gala. Tenho amizades no mundo inteiro e hoje em dia as minhas melhores são com alguns dos meus alunos, que estão comigo já há muitos anos.

AD – As amizades que se fazem dentro da própria equipa conseguem ser equivalentes às que se fazem com os adversários?

FV – Não. Na equipa criam-se laços muito mais fortes, somos quase uma família. Alguns dos atletas estão comigo há 16 anos, por exemplo.

AD – O que é que os desportos de combate significam para si?

FV – Comecei a praticar desportos de combate numa altura em que praticamente não havia mais modalidades. Só sabia fazer aquilo e tudo o que conquistei na vida até hoje tem muito que ver com essa capacidade de ultrapassar as adversidades e com o espírito de sacrifício que ganhei com essa prática.

AD – O que é para si um bom combate?

FV – Um bom combate é um combate com ação, do qual não consegues tirar os olhos, em que estás sempre com um estado de espírito emotivo.

AD – Como é que era a personalidade do Florin dentro do ringue?

FV – Sempre fui um lutador bastante agressivo mas também muito inteligente, tentava sempre desferir o máximo de golpes… e levar o mínimo (risos). Mas sempre gostei do confronto.

AD – Porque decidiu deixar a luta profissional?

FV – Continuo a treinar todos os dias mas, como sou empresário e tenho vários negócios, o foco já não é o mesmo. Treino atletas profissionais e o meu foco agora são os meus alunos, estou aqui para eles agora.

Florin Vintila: "O Algarve é uma potência dos desportos de combate em Portugal"

Florin Vintila a treinar Miguel ‘Mr. Kick’ Varela

AD – Preocupa-o o futuro dos desportos de combate?

FV – Com certeza. Fui eu quem trouxe os desportos de ringue profissionais para o Algarve. Criei o Dynamite Fight Night (DFN), que hoje em dia é o maior evento do país, conhecido no mundo inteiro. Fui eu que formei vários treinadores e neste momento temos muitas escolas na região e o Algarve é uma potência no mundo dos desportos de combate em Portugal.

É claro que me preocupa mas há sempre aqueles problemas federativos que nos atrapalham. Mas, de forma geral, estamos aqui para promover e dar mais visibilidade a estas modalidades.

Interessante é o facto de ter começado há muitos anos a organizar eventos de combate e na altura tínhamos 100, 200 pessoas, a verem e neste momento temos 2.000, 3.000, com transmissão televisiva. Só isso demonstra que temos feito um bom trabalho e é algo de que me orgulho.

AD – Sentiu, de alguma forma, necessidade de deixar o combate profissional para se dedicar à promoção destes desportos?

AD – Foi assim que surgiu o DFN?

FV – O DFN foi criado na Holanda e foi um pequeno sonho realizado. Eu estava lá a treinar para um combate e em conversa com um colega sueco dizia que gostava de criar um evento que fosse conhecido. Então, os dois chegámos ao nome “Dynamite Fight Night”, fizemos um logótipo – muito diferente daquele que temos atualmente -, voltei para Portugal e comecei a organizar o primeiro evento, que se realizou no Algarve, há cerca de 17 anos, apesar de ter sido uma coisa pequena.

Mais tarde, o DFN começou a tornar-se num evento grande e dispendioso e como tínhamos a necessidade de fazer mais eventos, criámos uma vertente menor, o “Dynamite Fighting Championship”, que são eventos em que selecionamos os melhores atletas para os eventos principais.

Ao todo devo ter organizado cerca de 70 eventos de desportos de combate. Estamos cada vez a crescer mais.

AD – Aproximando-se o DFN 32 e olhando para trás, como é que recorda o primeiro evento realizado?

FV – O primeiro foi uma coisa muito louca. Eu tinha de montar e desmontar o ringue, não tinha dinheiro, não tinha as condições que tenho atualmente e então era eu que, além de fazer tudo, ainda ia lutar.

Neste momento temos empresas que tratam de tudo, o evento hoje em dia tem uma dimensão muito maior. Podemos dizer que o DFN é um evento digno de Las Vegas.

AD – Lembra-se como é que correu o primeiro evento?

FV – Naquela altura, aos meus olhos, foi um grande evento mas se for ver bem a realidade foi uma brincadeira… (risos)

AD – É correto afirmar que o DFN 32 prepara-se para ser o maior evento até agora?

FV – Eu costumo dizer que cada evento é o maior que alguma vez existiu porque tentamos sempre melhorar.

AD – O que é que o público pode esperar para o dia 10 de março?

FV – O evento tem um matchmaking muito bom, com grandes combates. O público vai poder assistir a disputas de vários títulos, entre os quais o cinturão mundial, e esperamos sala cheia para uma grande noite.

AD – Que novidades é que vão ter em relação a anos anteriores?

FV – Vamos ter, com certeza, melhores combates porque os atletas estão cada vez melhores. A produção será também melhor, uma vez que aumentámos o investimento ao nível do som e da luz.

AD – Como é que se sente ao saber que os eventos de kickboxing que tem organizado no Algarve movem mais espectadores do que, por exemplo, muitos jogos de futebol na região?

FV – Isso deixa-me muito orgulhoso. Infelizmente nem todos os patrocinadores estão atentos a isso mas é uma situação que também está a mudar. Temos cada vez mais empresas a tentar ganhar visibilidade neste tipo de desportos.

AD – Sente que a modalidade está em crescimento no Algarve?

FV – Está em crescimento no país e no mundo, tanto que há uns anos nem se podia ouvir falar em desportos de combate na televisão e hoje em dia há eventos pelo mundo todo.

AD – Sendo o Florin um dos principais responsáveis pela promoção da modalidade na região algarvia, que feedback é que tem recebido?

FV – O feedback são pavilhões com duas e três mil pessoas. Ter eventos como o DFN  a repetirem-se com casa cheia ano após ano é uma das principais motivações para continuar este trabalho. Os meus alunos, os sacrifícios que fazem e a dedicação deles são também os grandes motivos para estar aqui todos os dias. Na verdade, o ginásio é o sítio onde me sinto melhor.

AD – É a sua segunda casa?

FV – Talvez a primeira!


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