Capoeira

No barlavento a capoeira ensina-se ao ritmo de um campeão mundial

No barlavento a capoeira ensina-se ao ritmo de um campeão mundial

Filipe Barros com uma das suas turmas

São 15 horas. Ainda faltam alguns minutos para o início da aula mas à entrada já se concentra um pequeno grupo de petizes à espera do “professor”. Estamos na instituição Amigos dos Pequeninos, em Silves, num dos vários locais onde Filipe Barros, campeão mundial de capoeira na categoria Graduados em 2017, dá aulas de capoeira a crianças entre os 3 e os 5 anos. Os alunos da primeira turma têm 4 e, depois de entrarem, já sabem o que têm a fazer: ficar de pé descalço, como “manda” a tradição.

“Os três anos são uma idade boa para começar a fazer capoeira”, começa por afirmar ao Algarve Desporto Filipe Barros. E a verdade é que os mais pequenos apreendem, com seriedade à sua altura, tudo o que o professor pede. Aqui o silêncio é tão importante como cantar ou bater palmas e o momento de correr pela sala é tão sagrado quanto o momento de estar atento aos movimentos mais complexos que o professor Filipe ensina.

“O mais importante nas minhas aulas, tal como na capoeira, é a liberdade. Eu gosto que elas utilizem a sua criatividade, que se sintam livres, mas sabendo sempre como estar, como sentar, como respeitar o próximo”, explica o atleta de 26 anos, natural de Lagoa.

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“Primeiro estranha-se depois entranha-se”

Atualmente com cerca de 200 alunos, o capoeirista, que dá aulas desde 2013, confessa que o caminho tem sido feito devagar. “Muitas vezes a capoeira não é aceite à partida e isso aconteceu quando quis começar a dar aulas. Quando se ouve falar nesta modalidade é só da roda, não das aulas, as pessoas só vêm o resultado final, o jogo, e a capoeira tem muito mais por trás”, garante o jovem, que também trabalha com os mais pequenos no Jardim de Infância, Creche e ATL ‘Gaivota’, em Armação de Pêra, no Grupo Desportivo e Cultural do Enxerim, no Os Armacenenses e na Escola Internacional, em Lagoa.

“Acima de tudo, o que ensino a estes miúdos é a ganhar autoconfiança”, explica o professor, que ensina os movimentos de forma muito simplificada, puxando também pelo lado cognitivo dos mais novos. É que se o campeão perguntar “como faz o caranguejo?” rapidamente há alguma criança que exemplifica, ‘et voilá’, movimento efetuado.

“Eu dou as bases mas eles é que aprendem sozinhos a melhor forma de fazer o exercício. Às vezes é muito melhor pedir a um colega para explicar a melhor forma de conseguir fazer determinado movimento porque eles passaram por essa dificuldade há menos tempo do que eu. Corrigir insistentemente não é boa opção, gera medo e desconfiança”,  assegura.

“O meu filho tem jeito?”

É esta a pergunta que a maioria dos pais faz a Filipe logo após a primeira aula de capoeira.

“A resposta é sempre a mesma: ‘Todos têm jeito’. O foco de uma aula de infantário não é a criança ser a melhor de todas. Tenho sempre de fazer com que os pais entendam que antes de todas as acrobacias tenho de ensinar outras coisas às crianças. Sim, o filho vai aprender a fazer a roda mas há valores mais importantes antes disso”, assinala o professor.


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